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o
Grupo Coral
O GDP, desejando
realçar a expressão artística dos associados, procura a promoção
de actividades culturais ligadas à dramaturgia e à música.
Entre elas insere-se o projecto que acabou por permitiu a
formação do Grupo Coral do Grupo Desportivo, um grupo amador de
repertório tendencialmente secular, constituído por Deputados,
funcionários parlamentares e outros profissionais ligados à
Assembleia da República, com vontade bastante para participarem
no projecto.
O projecto não prevê a utilização de instrumentos musicais,
enveredando por um caminho de pureza vocal (canto a cappela).
Neste, o objectivo é organizar os cantores em quatro naipes de
vozes (sopranos, contraltos, tenores e baixos).
O repertório será preferencialmente secular, constituído por
composições diversas, que incluirão também canções de origem
tradicional.
Nas selecções do repertório dar-se-á primazia à língua
portuguesa. Não se afasta, com certeza, a escolha de peças cuja
riqueza estética impere sobre a língua da composição.
Desde 9 de Maio de 2005 que se convocam os colegas para
participarem nos ensaios do coro, no Auditório da Casa Amarela,
e a adesão tem sido bem satisfatória.
Neste momento o Coro do Grupo Desportivo Parlamentar é composto,
aproximadamente, por 25 pessoas e tem reunido para ensaiar no
anfiteatro da Casa Amarela, sob a orientação do maestro Afonso
Granjo.
O funcionamento do coro depende de ensaios regulares. O que
acontece efectivamente com ensaios semanais de duas horas ou
dois ensaios semanais de uma hora e meia cada. Os dias
escolhidos são, normalmente, a segunda-feira e a quinta-feira.
Para além dos ensaios, o Grupo Desportivo Parlamentar considera
decisivo promover concertos regulares do grupo coral. Estes
poderão ser realizados no âmbito de algumas cerimónias ou
encontros levados a cabo pelos órgãos da Assembleia da
República.
VoltaR
grupo coral
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o
projecto do grupo coral
Fazer arte é
aumentar a vida.
(Fernando Pessoa)
A criação de um
grupo coral assentou em diversos conceitos. Vejamos cada um
deles.
Tonalidades
O espectro contém a diversidade. A pureza do cristal reflecte as
sete cores que compõem a luz solar e ajustam o arco-íris.
Assim também a existência humana se fragmenta numa miríade de
vontades, desejos e destinos. Os caminhos entrecruzam-se,
apartam-se e reúnem-se. E a pluralidade engendra um percurso
comum, único.
A realidade assim descrita é bem evidente nas instituições onde
a multiplicidade de funções e cargos constituem os pequenos
vidros que desenham o esplendoroso vitral.
Tal como sucede no cantochão, posteriormente designado canto
gregoriano, é objectivo do presente coro melhorar a expressão de
uma tonalidade na instituição onde se insere: o Parlamento
português. Naquele canto pretendia-se elevar a alma até à morada
divina. Neste coro deseja-se expandir a alma às galerias da
solidariedade e do companheirismo, no âmbito da Assembleia da
República. É imperioso estender as cores do contentamento ao
espaço profissional.
Em suma, a tonalidade musical estimula uma nova linguagem e
resulta numa fonte de envolvimento humano, mormente no ambiente
de trabalho.
Harmonia
A moderna psicologia relacional contesta a compartimentação
estanque entre a vida familiar ou privada e as obrigações
profissionais. O indivíduo é uno. E, pese embora, possa
expressar diversas facetas, todas elas giram em torno do mesmo
eixo e interagem; por vezes, apenas de modo inconsciente.
É nesta estrutura que a música pode cumprir uma influência
determinante e arrojada. Na sua construção, a modulação musical
busca a melodia que faz vibrar o íntimo humano. É a harmonia. E
se uma pequena roda dentada se move, as demais transportam essa
mesma força até aos ponteiros.
Demonstrativo da força da voz é o facto de Beethoven apenas ter
criado uma ópera e ter introduzido na sua magnífica 9.ª Sinfonia
o canto do poema de Schiller. A ópera é Fidélio e é dedicada aos
valores da fraternidade e liberdade da Revolução Francesa. O
poema de Schiller, Ode à Alegria, tem também como pano de fundo
a fraternidade e a amizade entre os homens. Portanto, quando
Ludwig van Beethoven quis expressar musicalmente a união e a
fraternidade humanas, e só nestes casos, percebeu que era
indispensável recorrer aos coros vocais.
Com isto quer dizer-se que o Grupo Desportivo está determinado
em facultar os ambientes proporcionadores de harmoniosa
expressão entre os parceiros de trabalho.
Vibração
Escutar música é de fundamental importância. Está provado que a
audição de música em tenra idade proporciona um desenvolvimento
intelectual e emocional significativos. Não há pedagogo que o
negue.
O discurso musical, porém, alcança um envolvimento fascinante,
um encantamento, quando proferido pelas cordas vocais. Nesse
acto, o cantor partilha da sua essência, expressa uma componente
sublime da sua natureza. Tal como o pintassilgo que saúda o Sol
e deslumbra o ouvinte.
Mas se ouvir música pode encantar e até irromper emoções, entoar
a melodia é investir todo o corpo – esse espantoso resultado
duma silenciosa evolução – na manifestação musical. É
comprometer a alma na vibração harmoniosa. O ser exalta-se, a
polifonia ecoa e espessam-se os laços humanos.
Aprendizado
O sublime é flexível. A expressão humana deve ser fluida. O que
é fixo encontra-se parado, de muitos modos. Ora, o crescimento
anímico do ser clama por desafios. E estes exigem sempre ir mais
além: é a flexibilidade do competidor; aquele que rivaliza com
outrem ou apenas consigo mesmo. Do esforço de alcançar novas
metas nascem as lições, as aprendizagens - os íntimos proventos
da experiência.
Quem se dispõe a assimilar a vivência acumula subtis
preciosidades inalienáveis do ser. E no âmbito do canto coral
duas são as áreas de crescimento. No campo musical, o projecto
pretende transmitir aos cantores os necessários conhecimentos
específicos relacionados, por um lado, com a leitura da música
e, por outro lado, com o domínio da voz. No campo relacional, um
grupo coral suscita importantes experiências, estimula
intercâmbios, porquanto agrega individualidades díspares em
torno de uma missão por todos aceite.
Esta é a faceta cognitiva do projecto.
Festa
A música modela rituais. Toda a arte traz consigo uma proposta
social. E a música exerce nesta matéria uma relevância
fundamental. A música, mormente o canto, agrega indivíduos,
fomenta a coesão, estimula a universalidade.
Os elementos musicais despertam emoções. O ritmo, a melodia e a
harmonia extraem do homem íntimas sensações, nomeadamente a
alegria, suporte da jovialidade de espírito. Da tecedura entre
os elementos musicais e a alegria humana emerge a festividade. É
importante que a actividade humana almeje a vertente positiva da
realidade. O festejo, a gala, a diversão, o afago recreativo
desempenham um papel imprescindível na afirmação animada do ser.
Ora, um coro vem a representar uma via de entusiasmo e alegria.
Tanto num aspecto interno, que se refere exclusivamente aos
participantes cantores. Como também num aspecto externo,
reportado ao público ouvinte que é tocado e impressionado pela
melodia e se envolve na «festa da música».
Arte
A música, para além de constituir uma prática cultural, possui
uma dimensão artística. Neste âmbito, o coro ambiciona a
participação num ideal artístico e estético. Para lá de toda a
repercussão social, o cântico tem uma pretensão sobre o Belo;
deseja manipular os códigos musicais de modo expressivamente
criativo. «Neste mundo o lindo é necessário», diz Victor Hugo, e
o cantor lança a voz no éter, buscando novas fronteiras, quiçá
quebrando o formalismo das regras impostas, quiçá tangendo a
Graça.
Tributo
Há quem diga que os beneditinos foram fundados para o coro -
propter chorum fundati. Certo é que foram grandes educadores,
não só porque criaram cultura, mas também porque procuraram
transmiti-la. Até à Baixa Idade Média, as escolas claustrais
tiveram uma importância essencial. Hucbaldo, um frade beneditino
do século IX, foi um estudioso da polifonia, apresentando no seu
tratado Musica Enchiriadis um esboço da futura arte - o
contraponto.
Criar, agora, um coro no âmbito do espaço arquitectónico dos
monges beneditinos é também prestar uma homenagem àquela ordem
eclesiástica e ao seu fundador, o padroeiro da Europa.
Serviço
As modalidades desportivas organizadas pelo Grupo Desportivo têm
tido um objectivo meramente hedonista. Diferentemente - e talvez
porque se trata de uma arte - a organização de um grupo coral
pretende ir mais além; é mais arrojada. O coro pretende cumprir
a sua função social. As apresentações musicais de um coro são
capazes de trazer proveitos não só aos cantores mas a todos os
que as ouvem, transportando o Belo e a Alegria aos demais.
Este compromisso deverá ser levado a cabo, primacialmente, no
âmago da instituição onde nasce — a Assembleia da República —
através da participação em cerimónias e eventos por ela
organizados.
VoltaR
grupo coral
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